domingo, 22 de abril de 2012

Havia tempo em que ela não se sentia assim. Aliás, tinha dificuldade para decifrar o que de fato sentia. Estava apática! Não sabia ela, quando estava feliz, nem quando estava triste. Se o que sentia era de fato felicidade ou se a tristeza era realmente triste. (Vesânia)
Talvez, refletir um pouco sobre si fosse um ótimo começo para ela salvar seu corpo daquela amargura. Pensar, pensar,  pensar... Em que pensar? Naqueles desconfiados retalhos de alegria ou nos incansáveis momentos de tormento? Remoer dores ou analisar o que as faz sentir? Mas como e por onde começar?
Suportar as dores de momentos sofríveis ou recordar doces alegrias que agora são motivos para a sua infelicidade?! As alegrias vividas se transformaram em profunda tristeza. 
Sonhar? Ela diz que sonhar não faz sentido! Foram sonhos arquitetados durante anos... e um furacão em poucos segundos devastou tudo! Não. Ela não quer! Ou, talvez, não pode?!
Outrora ela dormia para se esquecer de seus problemas. Hoje, mal consegue toscanejar. As lembranças assombram suas noites. Ela se debate entre suas pelúcias que lhe ofertam abraço em momentos dementes como os de suas noites de sono.
Então, dormir ou permanecer acordada? Ela também não sabe o que é melhor. Se é dia as recordações tomam conta por completo de seu corpo o fazendo doer. Se é noite... Ah, as noites! Estas significam o fim de um dia difícil e o início de um novo dia - que por vezes, desejou que não chegasse. Então, ela sente aquilo que nomearam de esperança. Assim ela se enche... até que o dia seguinte lhe rouba as forças.
Ela não quer se sentir assim. Mas não pode ser diferente. Coitada! Ainda não descobriu um desvio de rota que a leve ao caminho da felicidade... O fato é que está cansada de sentir uma "felicidade meio infeliz".

[Karina Vicente sobre "Ela"]





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